Comunicação Rural e Metodologias Participativas
Da Extensão à Comunicação Dialógica
Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Objetivo Central
Compreender a transição da extensão difusionista para a comunicação dialógica e participativa, com base em Freire e na andragogia.
A extensão rural nas fases iniciais foi caracterizada por uma abordagem difusionista:
Exemplo: Associação Americana para o Desenvolvimento Econômico e Social (AIA).
Um avanço significativo emergiu com a transição da mera difusão para uma comunicação dialógica e participativa.
A comunicação dialógica assegura que o fluxo de informações seja uma via de mão dupla:
Extensionista e agricultor tornam-se aprendizes e educadores simultâneos.

Paulo Freire (Comunicação ou Extensão, 1980):
O termo “extensão”, como verbo transitivo, coisifica o homem do campo.
Campo associativo: invasão cultural, messianismo, transmissão.
Proposta:
O agrônomo deve se posicionar como “comunicador”, engajando-se em diálogo bidirecional e participativo.
A comunicação torna-se um processo de articulação de saberes — construção conjunta de conhecimentos aplicados à realidade.
Nasce a perspectiva das abordagens sistêmicas e participativas, que transformaram o ato de extensão em momentos de trocas de saberes.
Compatibilidade conceitual:
| Teoria | Autor | Foco |
|---|---|---|
| Extensão como Comunicação | Paulo Freire | Diálogo bidirecional |
| Educação Crítica Construtivista | Jean Piaget | Construção do conhecimento |
| Crítica Emancipatória | José Libâneo | Autonomia do sujeito |
| Andragogia | Malcolm S. Knowles | Aprendizagem adulta |
A andragogia busca, a partir de seis princípios, abordar uma ATER efetiva e participativa:
A andragogia e a pedagogia da autonomia destacam-se como imperativo de uma extensão que empodera os indivíduos:
“Tornarem-se autores de suas próprias histórias” (Freire, 1996)
A partir da comunicação existente entre todas as partes.
Alcançar uma comunicação eficaz exige a seleção de métodos e meios apropriados para garantir a compreensão do público-alvo.
Abordagens sistêmicas priorizam as complexidades dos sistemas locais:
Essa multiplicidade alinha-se com a ênfase de Knowles na utilização da experiência de vida do adulto como recurso educacional.
Promovem um relacionamento mais simétrico e colaborativo entre extensionistas e agricultores.
A Lei 12.188/10 (PNATER) enfatiza a necessidade de comunicação eficaz como meio de promover seus princípios:
Ilustração do Método Paulo Freire — educação dialógica (André Koehne, CC-BY-SA 3.0)
Ferramentas frequentemente empregadas:
| Método | Sigla | Descrição |
|---|---|---|
| Avaliação Rural Participativa | ARP | Avaliação de necessidades e potencialidades |
| Diagnóstico Rural Participativo | DRP | Diagnóstico assertivo e direcionado |
| Escolas de Campo para Agricultores | ECA | Aprendizado prático no campo |
Facilitam o diálogo e a tomada de decisão compartilhada, incorporando os princípios freireanos e andragógicos.
Possibilidades de utilização dos métodos participativos:
O marketing rural abrange as estratégias de comercialização de produtos e serviços voltados ao campo:
A revolução digital transformou a comunicação rural:
O desafio é garantir que as novas mídias sirvam à comunicação dialógica, não à mera difusão publicitária (Freire, 1979).
Uma comunicação eficaz emerge como elemento crucial para o sucesso do novo paradigma:
Obrigado!
Luiz Diego Vidal Santos
Universidade Federal de Sergipe (UFS)
UFS — Extensão e Sociologia Rural